O impacto radiativo de partículas de microplástico e nanoplástico na atmosfera ainda é pouco compreendido. Um novo estudo quantifica o forçamento radiativo dessas partículas, revelando que, em algumas regiões, ele pode superar o do carbono negro, um conhecido agente de aquecimento.
A pesquisa destaca que, embora os plásticos sejam onipresentes no meio ambiente, seu papel no clima global tem sido negligenciado. As partículas podem absorver e espalhar a radiação solar, contribuindo diretamente para o efeito estufa, especialmente em áreas com alta concentração de poluição plástica.
Os autores alertam que, com o aumento da produção e fragmentação de plásticos, a contribuição dessas partículas para o aquecimento global deve se intensificar, exigindo maior atenção em modelos climáticos e políticas de mitigação.
O estudo, publicado na Nature, utiliza modelos atmosféricos para calcular o forçamento radiativo direto dos plásticos transportados pelo ar. Os resultados indicam que, em regiões como o leste da Ásia e o Ártico, o aquecimento causado por essas partículas pode ser significativo.
Os cientistas ressaltam que a poluição plástica não afeta apenas os oceanos e ecossistemas terrestres, mas também interfere diretamente no balanço energético do planeta. A presença de plásticos na atmosfera pode alterar a formação de nuvens e a precipitação.
Para mitigar esse impacto, os pesquisadores recomendam a redução da produção de plásticos virgens e o desenvolvimento de tecnologias de captura de partículas. A inclusão dos plásticos nos modelos climáticos globais é considerada urgente para prever com precisão as mudanças climáticas futuras.
