Uma descoberta científica pode mudar a forma como entendemos o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardíacas. Uma análise abrangente de dados de ensaios clínicos do NIH revelou que uma partícula relacionada ao colesterol, pouco conhecida, pode desempenhar um papel significativo no risco cardiovascular, mesmo além das medidas tradicionais.
A descoberta sugere que até uma em cada cinco pessoas pode ter níveis elevados dessa partícula oculta, aumentando o risco de AVC e morte. Os cientistas identificaram essa partícula como um marcador negligenciado que pode sinalizar um risco cardiovascular oculto, não detectado pelos exames de colesterol convencionais.
"A pesquisa oferece uma nova pista para a prevenção de doenças cardíacas e derrames, além de abrir caminho para futuros tratamentos direcionados a essa partícula específica", destacam os autores do estudo.
O estudo, publicado em periódico científico de renome, analisou dados de milhares de participantes ao longo de vários anos. Os pesquisadores descobriram que a partícula, conhecida como lipoproteína (a), estava associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares, independentemente dos níveis de colesterol LDL, o chamado "mau colesterol".
Essa partícula, que se acumula nas artérias e promove a formação de coágulos, pode ser um alvo promissor para novos medicamentos. Atualmente, não existem tratamentos aprovados especificamente para reduzir os níveis de lipoproteína (a), mas várias drogas estão em desenvolvimento clínico.
O estudo destaca a necessidade de reavaliar os métodos atuais de avaliação de risco cardiovascular para incluir esse novo biomarcador. Para os pacientes, a descoberta significa que mesmo com níveis normais de colesterol, pode haver um risco oculto que precisa ser investigado.
Os cientistas recomendam que pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas precoces ou AVC, ou aquelas que já tiveram um evento cardiovascular apesar de níveis normais de colesterol, conversem com seus médicos sobre a possibilidade de medir a lipoproteína (a). Essa medida pode ser feita através de um exame de sangue simples, mas não é rotineiramente solicitada.
